Geral8 min de leituraAtualizado em 03 de maio de 2026

Como saber se vale consertar ou comprar um eletrodoméstico novo

Depende da idade, do tipo de reparo e da disponibilidade de peça. Regra dos 50% é ponto de partida, não decisão final. Aparelho com mais de 8-10 anos e compressor com problema raramente compensa consertar.

Regra dos 50%: se o reparo custa mais que metade do valor de um aparelho novo equivalente, compra novo. Boa regra de bolso, mas ignora variáveis que pesam na decisão. Esse guia vai além dela.

O que a regra dos 50% não considera

Idade do aparelho: Um aparelho com 2 anos que vai custar R$ 400 pra consertar (de um novo que custa R$ 900) provavelmente vale reparar. Tem vida útil pela frente. O mesmo aparelho com 9 anos: o compressor foi trocado, mas o condensador, o motor do ventilador e a placa eletrônica têm a mesma idade. O próximo problema vem em breve.

Disponibilidade de peças: Aparelhos descontinuados ficam sem peça original. O técnico vai usar peça alternativa ou reformada, sem garantia de durabilidade. Antes de aprovar qualquer reparo em aparelho com mais de 7-8 anos, pergunte se a peça é original com procedência.

Eficiência energética: Um aparelho de 10 anos consome mais energia que um novo equivalente. A diferença pode chegar a 30-40% no caso de ar-condicionados. Se a conta de luz pesa, isso entra no cálculo.

A conta real para ar-condicionado

Exemplo prático: ar-condicionado de 12.000 BTU com 8 anos. Compressor com problema. Orçamento de troca: R$ 1.200. Um split novo 12.000 BTU básico custa R$ 1.800-2.200 instalado.

Pela regra dos 50%: R$ 1.200 é mais que 50% de R$ 2.000 (= R$ 1.000). Regra diz: não conserta. E faz sentido. Aparelho de 8 anos com outros componentes envelhecidos, consome mais energia que o atual e pode ter o próximo problema em 1-2 anos.

Reparo de componente menor (capacitor, relé, sensor) por R$ 200-300, mesmo em aparelho de 8 anos: compensa. Troca de compressor: não.

A conta para geladeira

Geladeira tem vida útil mais longa que ar-condicionado, em torno de 12-15 anos em uso normal. Um reparo de R$ 400 em uma geladeira de 6 anos que vale R$ 2.000 nova faz sentido. O mesmo reparo numa geladeira de 13 anos, não.

O componente mais caro é o compressor (R$ 500-900 pela peça). Se o compressor falhou e o aparelho tem mais de 10 anos, pese: compressor novo + mão de obra + risco dos outros componentes falharem em breve vs. geladeira nova com garantia de 12 meses.

A conta para máquina de lavar

Máquina de lavar tem vida útil de 8-12 anos. Reparos de bomba de drenagem, borracha da porta, rolamento do tambor em aparelhos com até 7-8 anos geralmente valem. Rolamento quebrado em máquina de 10 anos é sinal de que outros componentes mecânicos estão no limite também.

A conta para impressora

Impressoras jato de tinta domésticas raramente valem o conserto. O custo da mão de obra frequentemente ultrapassa o valor do aparelho. Impressoras laser de escritório têm vida útil maior e manutenção mais previsível; geralmente valem o reparo.

O que perguntar antes de aprovar o orçamento

  1. Qual componente exatamente vai ser trocado?
  2. A peça é original ou alternativa?
  3. Qual a garantia do serviço?
  4. Se esse componente for trocado, quais são os próximos que podem falhar em breve?
  5. Pela experiência do técnico, vale o reparo nesse aparelho com essa idade?

Técnico honesto responde a quinta pergunta sem vender o serviço. Se o técnico diz que qualquer reparo vale a pena em qualquer aparelho, desconfie.

Quando não vale de jeito nenhum

Aparelho sem peça disponível no mercado. Aparelho com dano físico extenso (inundação, queda, queimado). Aparelho que já foi consertado do mesmo problema nos últimos 12 meses. Aparelho cujo custo de energia anual é significativamente maior que um equivalente atual.

Nesses casos, a decisão mais inteligente é comprar novo, mesmo que a sensação de "desperdiçar" o aparelho doa.